Turismo do Ceará em alta
Fortaleza lidera crescimento na ocupação em hotéis. Parte do desempenho positivo de Fortaleza pode ser explicado pela expansão da demanda por destinos domésticos.
Novos indicadores comprovam a boa fase do turismo cearense. De acordo com levantamento mensal do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), Fortaleza liderou os resultados de desempenho do setor, em agosto último, entre 11 destinos pesquisados. A taxa de ocupação na Capital cearense nos hotéis conveniados à entidade cresceu 27,7%, em comparação com igual mês de 2008, atingindo 79,43% - maior variação positiva e valor absoluto, confrontando com as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Joinville.
A média nacional de taxa de ocupação em agosto último foi de 63,65%, ou 7,4% inferior ao ano passado. A cidade de Curitiba apresentou o pior resultado, com queda de 29,7% na ocupação e absoluto de 51,36%.
A pesquisa do Fohb compreendeu 331 hotéis, com total de 49.092 unidades habitacionais (UH´s), sendo 13 estabelecimentos hoteleiros em Fortaleza e um em Aquiraz. O desempenho de Fortaleza puxou para cima o resultado do Nordeste, que registrou taxa de ocupação de 70,74%, uma alta de 9,5% sobre agosto de 2008. Para os representantes do FOHB, “parte do desempenho positivo da Capital cearense pode ser justificado pelo crescimento da demanda por destinos turísticos domésticos nas férias, após o surgimento dos primeiros casos de Influenza H1N1″. Agosto, porém, não é um caso isolado no desempenho cearense - diz o documento do Fohb. “Em julho, o Aeroporto Internacional Pinto Martins registrou 421,5 mil operações”. Naquele mês, “o terminal passou a ter três frequências exclusivas da Delta Air Lines, além de novos voos da Air Italy e da Livingston, que ligam a Capital à Itália”, assinala.
Diárias
No item diária média (DM), Fortaleza também saiu na frente, com aumento de 11,2% em agosto de 2009, ante igual mês do ano anterior. Ainda assim, a DM da Capital, que atingiu R$ 124,95, é a segunda mais barata do País, perdendo apenas para Joinville, com R$ 91,08 (e queda de 4,6%). Nacionalmente, a DM foi o único indicador a apresentar variações positivas em todo o Brasil, com aumento de 6,5% e valor de R$ 159,79. O Rio foi o município responsável pelo maior valor absoluto, com R$ 224,39. A Capital cearense também foi destaque na receita por apartamento disponível (RevPar), com incremento de 42% em agosto último sobre igual mês de 2008. A média da cidade foi de R$ 99,25, contra uma média nacional de R$ 101,70 (-1,4%). Mais uma vez, o desempenho de Fortaleza influenciou o resultado para o Nordeste, com alta de 14,6% na RevPar, fechando em R$ 98,94. O maior valor absoluto, contudo, ficou com o Norte - R$ 109,93.
O QUE ELES PENSAM
Pesquisa foca grandes redes do País
A pesquisa da Fohb inclui somente 13 hotéis de Fortaleza, a da ABIH congrega 61. Em agosto pelos números da Associação tivemos um crescimento de 21% em relação a igual período de 2008. No acumulado do ano, o aumento foi de 69,49%. Talvez a diferença se dê devido ao número de empresas em cada uma das pesquisas. Mas, independentemente da diferença, o setor vem tendo um ano positivo, principalmente motivado pelo turismo doméstico e eventos. Em agosto, tivemos os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) que movimentaram o setor durante 10 dias.
São números fortes, no entanto analisam uma parte do mercado de Fortaleza porque aglutina somente grandes operadoras hoteleiras e não inclui hotéis independentes. Mesmo assim, é fato, houve um crescimento com dados muito bons, o Gran Marquise, por exemplo, registrou uma taxa de ocupação superior a 73% e em relação a agosto do ano passado cresceu mais de 30%. Estamos vivendo um bom momento, com eventos na cidade. Por esse motivo, outubro será um dos melhores meses, superando janeiro com taxa superior a 30%.
Fonte: Diário do Nordeste
Mais companhias devem pousar no Nordeste. Com o plano de incentivo à aviação regional, o governo quer estimular o mercado nas regiões consideradas estratégicas.
O número de linhas aéreas ofertadas no Nordeste deve ganhar incremento já no próximo semestre. As companhias aéreas regionais, que ainda não operam na Região, estão focando agora os estados nordestinos e devem, no início do ano que vem, começar a investir por aqui. Isso é o que afirma o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar), Apostole Lazaro Chryssafidis, explicando que o interesse das empresas vem motivado pelo recém criado Plano de Estímulo e Fomento do Transporte Aéreo Regional, que deve ser votado ainda este mês na Câmara Federal. O Projeto de Lei (PL), entre outras disposições, incentiva a criação de voos para as chamadas linhas essenciais, que são aquelas de baixo e médio tráfego.
“Esse plano não é para o Sudeste, mas o Nordeste e o Norte também, devem ser os maiores beneficiados. Isso porque hoje o Nordeste é pouco atendido pelo transporte aéreo”, explica o presidente, que é mais conhecido no setor como Lack. Os novos voos não deverão, entretanto, interligar capitais. Eles serão para criar uma malha viária de acesso a localidades em que haja necessidade de integração, dificuldade de acesso ou limitação de uso de outro modal de transporte. “O governo quer estimular o mercado nas regiões consideradas estratégicas”, aponta Lack.
O plano foi apresentado à Abetar no último dia 13 pelo diretor do Departamento de Políticas de Aviação Civil (Depac) do Ministério da Defesa, Fernando Antônio Ribeiro Soares. O diretor esclarece que o projeto envolve entre sete e oito medidas que terão forte impacto no setor, sendo a criação de novas rotas para linhas essenciais apenas uma delas, contudo, uma das mais importantes.
Capitalização
Com as ações, o diretor do Depac acredita que, em três anos, a aviação regional nordestina estará “muito diferente”, para melhor. “As empresas se capitalizarão, comprarão novas aeronaves e outras companhias devem entrar no mercado, consolidando as menores e expandindo a concorrência”, prevê. As linhas aéreas a serem criadas, explica Soares, ainda não estão definidas. Elas serão propostas pelo Conselho de Aviação Civil (Conac) ao presidente da República, precedidas de estudo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Queremos que a definição seja estritamente técnica, portanto, preferimos não divulgar as localidades para nos preservarmos de disputas políticas”, justifica. Após definidas as linhas, será aberto um processo licitatório para a escolha das empresas exploradoras.
O PL prevê a concessão com exclusividade na exploração de algumas linhas e a concessão com subvenção. Na primeira, a companhia vencedora da licitação será determinada pelo menor valor da tarifa do serviço a ser prestado. Já com a subvenção, que pode chegar a 50% do valor do voo, o vencedor será determinado pelo menor valor da subvenção. Todos os contratos terão um prazo de, no máximo, cinco anos, podendo um contrato ser prorrogado caso haja manifestação do Conac pela sua manutenção. Em relação ao valor das passagens aéreas, a Anac irá determinar as tarifas das linhas sob regime de exclusividade. Já em relação às concedidas por subvenção, a empresa fixará uma tarifa de referência correspondente ao valor por assento. A companhia poderá fixar valores das passagens superiores a essa tarifa mas, nesse caso, a Anac realizará descontos nos repasses da subvenção.
AZUL LINHAS AÉREAS
Interligação entre capitais incentivada
A expectativa era de que ainda nesse semestre a Azul Linhas Aéreas iniciasse voos interligando todas as capitais nordestinas, dentro de um projeto, em parceria com a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), que poria fim ao hoje complicado deslocamento aéreo entre algumas cidades da Região, como de Fortaleza a Maceió, ou de Teresina a Recife. O projeto chegou a ser apresentado em março, mas o seu avanço esbarrou na falta de financiamento para compra de aeronaves, problema que pretende ser resolvido com uma das medidas do novo plano de estímulo.
De acordo com o diretor do Ministério da Defesa, Fernando Soares, a criação do chamado Fundo Garantidor, ou Fundo de Aval, dando um seguro de crédito às empresas para compra dos aviões, já está em processo avançado de aprovação no Legislativo. A questão vem sendo debatida de forma prioritária e a Medida Provisória que cria o fundo já foi aprovada pela Câmara Federal e deve ser votada em breve no Senado. “Com isso, resolve-se o problema e facilita abastecer a malha do Nordeste. A Azul, com certeza, deve efetivar esse projeto nas capitais nordestinas”, afirma Soares. A companhia deve criar uma frota exclusiva para o Nordeste, comprando seis aeronaves da Embraer, que transportam 106 passageiros e custam entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões. (SS)
CAPITAL ESTRANGEIRO
Participação de até 49%
Uma outra medida impactante para o setor aéreo inclusa no Projeto de Lei vai mudar as regras que ditam sobre a presença de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras.
O Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA) estabeleceu, em 1986, que estas empresas poderiam ter uma participação máxima de 20% de capital votante de fora. A nova lei pretende elevar esse porcentual para 49%.
“Não dá mais, hoje em dia, para prescindir de capital estrangeiro. A exemplo da Petrobras, da Vale e da Gerdau, as companhias aéreas brasileiras devem se internacionalizar”, defende o diretor do Departamento de Políticas de Aviação Civil (Depac) do Ministério da Defesa, Fernando Antônio Ribeiro Soares.
Esse porcentual proposto de capitalização do exterior é o mesmo utilizado na União Europeia e na Índia. O projeto já está em discussão no Senado, já tendo sido aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos da Casa. Na Comissão de Constituição e Justiça já possui parecer favorável do relator, faltando ainda ser votado. “Na Câmara não tem problema de votar”, acredita o diretor do Ministério da Defesa.
O Fundo garantidor também vai ao encontro dos interesses de outra companhia, a Trip Linhas Aéreas. Dentro do mesmo projeto de interligação dos estados nordestinos, divulgado com exclusividade pelo Diário do Nordeste em 25/3/2009, a empresa criaria mais rotas nas cidades importantes da região, que não as capitais.
Fonte: Diário do Nordeste.























































